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Toda madeira é sustentável?

Toda madeira é sustentável?

17/11/2020

A sustentabilidade na utilização da madeira está associada a vários fatores atrelados à sua origem, fabricação, tratamento e utilização. Será que a madeira também pode ser vilã do meio ambiente?

De forma reconhecida, a madeira é considerada como um material de grande aptidão para a sustentabilidade. Afinal, consiste em um material de fonte renovável, com baixa utilização de energia para produção e muito abundante no Brasil. Inclusive, a utilização de madeira favorece ao reflorestamento, que contribui significativamente para a retenção de carbono.

Em contrapartida, o desmatamento de florestas nativas brasileiras ainda é uma grande realidade. Segundo a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, o desmatamento é caracterizado como a segunda principal causa das mudanças climáticas, depois da queima de combustíveis fósseis. Isso corresponde a quase 20% de todas as emissões de gases de efeito estufa, superior às emissões de todo o setor de transporte do mundo.

Diante desse exemplo, é inevitável o questionamento: a utilização da madeira é, de fato, uma proposta sustentável?

Certificações para madeira no Brasil

O segundo semestre de 2020 foi marcado por reportagens na mídia referente às queimadas que assolaram grandes contingências de fauna e flora do Pantanal e na Amazônia. De acordo com levantamento realizado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o ano de 2020 apresentou os maiores números de focos ativos de queimadas da última década.

É conhecido que as queimadas acontecem de forma natural ou para agricultura de subsistência de pequenos produtores rurais, mas representa a minoria dos casos. Aproximadamente 54% dos focos de fogo deste ano na Amazônia, por exemplo, possuem origem no desmatamento, de acordo com dados de mapeamento de queimadas obtidos pela Nasa (agência espacial americana), que contempla também a extração ilegal de madeira.

No Brasil, que detém 12% da superfície florestal do mundo, esse cenário é muito preocupante. Por isso, foram estruturadas algumas certificações para combater essas práticas:

  • DOF (Documento de Origem Florestal): instituído em 2006 pelo Ministério do Meio Ambiente, trata-se de uma licença obrigatória para o controle do transporte e armazenamento de produtos e subprodutos florestais de origem nativa, contendo informações sobre sua procedência. Toda madeira extraída em território nacional deve possuir Documento de Origem Florestal (DOF).
  • FSC (Forest Stewardship Council): é uma certificação que garante ao consumidos que o produto florestal fabricado utiliza matéria-prima que provém de floresta certificada e de fonte controlada. O FSC, organização internacional independente, composta por representantes dos setores ambiental, econômico e social, estabelece os princípios e critérios de manejo florestal responsável, reconhecidos internacionalmente.
  • Cerflor (Programa Nacional de Certificação Florestal): certificação nacional, que indica se a madeira, produtos não madeireiros ou produtos de base florestal são provenientes de floresta com manejo sustentável certificado. As normas são estruturadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT e a sua aplicação é gerida pelo Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO), que credencia as instituições certificadoras. O Cerflor é reconhecido internacionalmente pelo Programme for the Endorsement of Forest Certification (PEFC)

Portanto, na compra de madeira, é essencial verificar as suas certificações e garantir a procedência deste material. Caso contrário, incentiva-se ainda mais uma indústria nada sustentável de desmatamento de nossas florestas naturais.

Utilização e outros cuidados

A madeira é utilizada em diferentes segmentos do mercado. No Brasil, caracteriza-se os seguintes usos:

Área de árvores plantadas - uso da madeira no Brasil

Distribuição do uso da madeira no Brasil, por área de árvores plantadas. Fonte: https://iba.org/dados-estatisticos

No que se refere à construção civil e arquitetura, ela é predominantemente utilizada para elementos de estrutura (temporária ou definitiva), pisos, forros, telhados, isolamento termoacústico, assim como também mobiliário e decoração. Para cada tipo de uso, há madeiras específicas mais adaptadas, sejam madeiras naturais ou compensados.

Alguns materiais compensados, como MDF e OSB, são compostos de fibras de madeira associadas a resinas e ceras, como colas, que possibilitam a formação de placas resistentes, de fácil e rápida fabricação, a partir de restos de madeira reciclados. Entretanto, no geral, são materiais de baixa durabilidade, difícil reciclagem, com elevado gasto energético e toxicidade na fabricação.

As resinas utilizadas na produção de MDF emitem alguns Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), como formaldeídos. Esses solventes emitem vapores à temperatura ambiente, podendo provocar alergias e queimaduras por contato direto com a pele, ou até doenças respiratórias e lesões pulmonares, após inalações repetidas. Também são extremamente nocivos para o meio ambiente, pois sua evaporação agride a camada de ozônio. Por isso, a produção e o manuseio de tais materiais compensados exigem atenção e proteção adequada para reduzir os impactos à saúde e ao meio ambiente.

Conservação

A utilização de madeira como estrutura, revestimentos internos e mobiliário, por exemplo, também requer o uso de solventes para tratamento necessário, de modo a evitar problemas de umidade e infestação de insetos. Assim como as resinas dos compensados, as tintas e os vernizes podem possuir elevados teores de Compostos Orgânicos Voláteis. Os VOCs são altamente prejudiciais para o meio ambiente e os usuários da edificação, podendo acarretar em dores de cabeça e alergias.

Atualmente há alternativas à base de água, que reduzem os impactos provocados pela emissão de VOCs. Essa seria a estratégia para um uso e conservação sustentável, alinhados com princípios de saúde e bem-estar. Porém, infelizmente ainda são pouco utilizados, devido ao preço e à durabilidade do material.

Avaliação do ciclo de vida

A Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é uma metodologia de avaliação e quantificação de impactos ambientais associados a um produto ou serviço. Ela está estruturada pela ISO 14.040. Em linhas gerais, o objetivo é analisar toda a pegada ambiental desde o berço (extração da matéria-prima) até o túmulo (decomposição do material). Dessa forma, pode-se comparar os diferentes materiais ou serviços, através de indicadores comuns, para que fomentem a tomada de decisão pela maneira mais sustentável.

Estudos na área avaliam que a madeira possui índices baixos de contribuição para os indicadores de Potencial de Aquecimento Global (CO2eq), Acidificação (SO2eq) e Eutrofização (PO4eq), em comparação com outros materiais como concreto e aço. Em contrapartida, possui elevados índice de Toxicidade Humana (1,4-DB) e Toxicidade Terrestre (1,4-DB). Esse resultado é decorrente, sobretudo, da etapa inicial de seu ciclo de vida, referente à sua produção e extração.

Afinal, madeira é sustentável?

Por fim, a utilização da madeira caracteriza vários benefícios ambientais, principalmente relacionado ao seu potencial de fomentar o reflorestamento e de reter carbono. Isso reduz os possíveis impactos na poluição do ar, inevitáveis para a fabricação de materiais alternativos, tais como concreto, aço e vidro.

Contudo, é necessário acompanhar as suas origens e fabricações, de modo a garantir uma procedência certificada, de florestas com manejo responsável e sustentável, com composições de solventes com baixa emissão de VOCs. Entende-se que, dessa forma, restringe-se os aspectos negativos de vilã associados à sua utilização e se favorece os positivos, promovendo a sustentabilidade, de fato.

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