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De olho em ‘fake news’ de sustentabilidade, é preciso atenção para não confundir benefícios reais com marketing feito apenas para promover certificações

14/08/2018

Por Guilherme Loos, sócio responsável pelas áreas de Certificações e Ecoeficiência da Inovatech Engenharia

 

Em tempos de disseminação de notícias falsas, é melhor examinar mais a fundo planilhas e gráficos usados como base para a divulgação de resultados de sustentabilidade. Recentemente, recebi uma newsletter que trazia como destaque um edifício sustentável que “comprovou os benefícios da certificação após 1 ano de uso”, celebrando números fantásticos que deixam qualquer um com um senso de culpa enorme por não ter pensado em certificar seu edifício.

Tive a curiosidade de abrir a página com a notícia e analisar um pouco mais a fundo os dados impactantes que foram divulgados. A primeira coisa que me chamou a atenção foi que se tratava de uma empresa construindo uma nova sede, e que havia dados de consumos da sede anterior (o que é muito legal). Entretanto, as comparações foram efetuadas não com a sede anterior (com perfil semelhante de uso e operação), mas sim com o modelo teórico da certificação escolhida.

No caso da eficiência energética, por exemplo, a notícia celebra exuberantes 78% de economia no consumo de energia, se comparado com o modelo teórico. Porém, se observarmos em detalhe o gráfico postado, a economia de energia elétrica em relação à sede antiga foi da ordem de 40%, aproximadamente metade da comemorada.

Ainda é uma economia expressiva, que faz qualquer empresário comemorar, mas, se avançarmos mais um nível no detalhamento da análise, perceberemos que se trata de uma empresa que tem 20 anos de idade, e o texto não menciona há quanto tempo a sede anterior era ocupada, tampouco se o número de colaboradores e de área construída aumentou ou diminuiu.

Já na economia de água, novamente o modelo da certificação prevaleceu, mas, neste caso, contando pontos desfavoráveis para a economia celebrada. A matéria comemora 39% de economia nas áreas internas, mas se considerarmos o edifício anterior, a economia, na verdade, é de 50%. É um número expressivo e interessante, sem dúvida.

Porém, a reportagem não menciona que mais da metade do consumo total de água da sede nova foi para irrigação! Ora, faz sentido celebrar grandes reduções de consumo de áreas internas e deixar de lado o consumo das áreas externas, sendo que a irrigação da sede nova gasta 1,5 vez o que o prédio gasta dentro?

No edifício supereconômico e certificado, de cada 2,5 litros de água que entram, 1,5 litro vai para regar plantas! E o gráfico de consumos é implacável ao mostrar que apenas em um mês do ano o volume de água de chuva aproveitada foi suficiente para regar todas as plantas. Ao longo do ano, além de toda a água de chuva aproveitada, foram utilizados 88 mil litros de água potável no jardim, 50% mais água do que toda a água utilizada em torneiras, chuveiros e vasos sanitários.

Outro ponto importante é que em momento algum a notícia informa ao leitor onde a água de chuva é aproveitada, uma vez que existem diversos usos possíveis para essa água além da irrigação, por exemplo, nos próprios vasos sanitários.

Aqui na Inovatech Engenharia nossa metodologia é de mensurar resultados que de fato façam diferença para nossos clientes, utilizando-se de dados reais, e não de ficar maquiando dados e números para obter resultados teóricos com a finalidade somente única e exclusiva de promover certificações. Certificação para nós é método, não ferramenta de marketing.