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BIM e Norma de Desempenho: estamos aproveitando bem essa ferramenta, com gestão da informação?

BIM e Norma de Desempenho: estamos aproveitando bem essa ferramenta?

14/08/2019

Criar modelos bonitos, coloridos e complexos não quer dizer muita coisa. Para fazer a diferença, o BIM precisa ser resultado de um trabalho profundo de gestão da informação

 

Por Luiz Henrique Ferreira*

Já vi muita gente no mercado usando BIM como ferramenta para fazer modelagem 3D em compatibilização de projeto. Mas o BIM não é isso. É preciso dizer que o BIM, para poder oferecer todas as suas vantagens potenciais, precisa partir de uma premissa de sistema de gerenciamento das informações.

O modelo BIM é a representação gráfica de um conjunto de informações, que depende de um conhecimento bastante detalhado do que cada disciplina precisa. É aí que eu vejo uma grande falha no mercado – e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade. Muitas empresas implantam BIM, basicamente, como ferramenta de modelagem 3D. Para isso, o BIM sai caro e não vale a pena. Assim, várias empresas acabaram se desiludindo e desistindo de implantar o BIM.

É mais ou menos o que já vi acontecer com as certificações LEED e AQUA. Por que muitas empresas se desiludiram com os selos? Porque quem estava à frente na consultoria focou apenas em bater um checklist dos itens da certificação. Com isso, não criaram um modelo de gestão que levasse a uma sustentabilidade com resultados tangíveis.

Além disso, para cada tipo de cliente você tem um resultado diferente. Um varejista busca reduzir a depreciação do seu ativo imobiliário e o custo operacional. Já um empreendedor residencial quer oferecer mais conforto para seus clientes, principalmente com a questão da norma de desempenho, e assim por diante.

BIM requer boa gestão da informação

De uns tempos prá cá, percebi que o mesmo movimento está acontecendo no BIM. Boa parte dos “consultores” de BIM é ex-funcionário de revenda de softwares de BIM. Eles conhecem muito bem como o software funciona, mas não sabem quais são as informações necessárias para que o projeto se desenvolva da melhor maneira possível. E, claro, estamos falando de algo que, para fazer sentido, precisa ser personalizado, não é produto de prateleira.

Então, esses consultores criam modelos bonitos, coloridos e complexos, mas no máximo conseguem extrair uma planilha de quantitativos. Só que essa planilha depende da criação do modelo computacional pensado com a inserção de informações e a criação das bibliotecas, conforme o método construtivo de cada cliente. É preciso registrar como ele faz aquela construção, como estrutura os seus departamentos de compras e de projetos.

Em outras palavras, o grande trabalho do BIM é de gestão da informação. Ele precisa ser feito antes de se criar o primeiro modelo. Para isso, precisa ser resultado de uma série de conversas com o cliente, para entender quais informações ele vai querer gerenciar através da metodologia e, principalmente, como ele está pensando na execução da obra.

Modelo 3D X obra em 2D

Aqui no Brasil, é preciso partir do pressuposto de que o dia a dia da obra acontece em 2D. Ou seja, em algum momento, o modelo precisará voltar para o 2D para ir para a obra. No futuro, será tudo em 3D, como já acontece na Europa, nos EUA. Mas, por enquanto, quem está nos canteiros por aqui são pessoas com baixa escolaridade. Por isso, fica difícil imaginar que elas conseguirão analisar um modelo computacional e visualizar aquilo construído.

Então, o que fazer? O primeiro passo é conversar detalhadamente com os projetistas e o empreendedor, de uma maneira muito cuidadosa e focada na gestão da informação. É preciso responder perguntas como: quais informações serão necessárias, em quais momentos, para resolver quais problemas e, ainda, em muitos casos, incluir norma de desempenho e certificações.

Estudo preliminar: principal entrega do BIM

Tudo isso precisa estar alinhado antes, porque não basta saber que informações se quer. É preciso correr atrás delas, colher as que têm credibilidade e por aí vai. Muitas vezes, elas não estão disponíveis facilmente e dependem de conversas com a cadeia produtiva, com os fabricantes e até com laboratórios de ensaios.

Conclusão: no fundo, o trabalho do BIM requer muita investigação, busca de informações e coleta de dados nas fases absolutamente preliminares do projeto. O resultado é que isso muda o formato de gestão do projeto. O estudo preliminar, que antes era só um primeiro draft, passa agora a ser a principal entrega do modelo.

Com isso, o modelo BIM pode parecer demorar mais, inicialmente. Mas, se for pensado com a gestão da informação em bibliotecas bem detalhadas, ele encurta muito os prazos de projeto. No fim das contas, o BIM permite entregar um projeto com um nível de qualidade muito maior. Da mesma forma, as revisões que podem surgir na evolução natural do projeto tendem a ser mais ágeis, o que afeta todo o processo.

Por hoje, é isso. Num próximo post vou falar sobre as ferramentas de verificação de conformidade e os softwares que existem pra isso. Obrigado e até lá!  

Luiz Henrique Ferreira é CEO e fundador da Inovatech Engenharia.