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Produtividade na construção: a chave para impulsionar o mercado imobiliário

21/02/2019

Já faz algum tempo que todos ouvimos falar que a crise ficou para trás, e que agora basta a reforma da previdência para o país deslanchar de vez. Quando analisamos os números, realmente notamos que existe uma constância importante de PIB’s trimestrais positivos, uma inflação muito comportada trazendo consigo taxas de juros relativamente decentes, principalmente quando comparamos o biênio 2017/18 com o biênio 2015/16. Foi neste biênio mais antigo que o setor da construção amargou a pior crise de sua história: as empresas consumiram todas as suas reservas entre 2013/14 e, a partir de 2015, começaram a demitir em massa, desestruturando completamente construtoras, incorporadoras, empreiteiros e a indústria.

Redução de canteiros e profissionais

Empresas que em 2013 tinham 150 canteiros de obras em andamento, hoje possuem menos de 10, uma redução gigantesca que mandou para o olho da rua profissionais de todos os níveis hierárquicos, do servente de obras ao diretor de engenharia. Afinal, para cuidar de 10 obras, muitas vezes, o próprio fundador e um diretor estatutário dão conta do recado, enquanto que numa estrutura de 150 obras existiam de dois a três níveis de diretoria, além de gerentes, supervisores, coordenadores e tudo mais.

Deste contingente de dezenas de milhares de profissionais altamente qualificados, muitos saíram do Brasil, foram cuidar dos negócios da família, abriram uma franquia, mudaram de ramo, enfim, uma geração de profissionais ótimos que o setor da construção civil perdeu por conta da crise, justamente por ser tão dependente de mão de obra em todos os seus níveis hierárquicos.

Produtividade x dependência de mão de obra

Essa alta dependência de mão de obra tem uma relação direta com a baixíssima produtividade do setor que, segundo estudo da consultoria McKinsey, tem índices de produtividade entre os mais baixos de toda a economia mundial. Portanto, estamos diante de um cenário que é otimista mas, ao mesmo tempo, gera grande preocupação, pois nosso setor não é “escalável”, justamente porque tudo é feito de maneira artesanal.

Hoje o que se vê no setor da construção é que é impossível simplesmente contratar um ou dois engenheiros e “partir uma linha de montagem” que estava parada, como se faz na indústria. Isso se dá por dois motivos: primeiro, porque engenheiros e arquitetos bons que ficaram dois ou três anos desempregados já arrumaram outra coisa para fazer e não estão disponíveis. Segundo, porque o nosso setor não se modernizou e não existe “linha de montagem” parada. Quase tudo é feito de maneira absolutamente artesanal!

Como dar conta de um possível boom imobiliário?

O que faremos quando a reforma da previdência for aprovada, o risco Brasil cair e começarem a vir os investimentos pesados do exterior, aliados às baixas taxas de juros e ao crédito barato para impulsionar o mercado imobiliário? Se não fizermos nada iremos conviver com um pesadelo muito pior do que o de 2011/2012, quando todas as obras atrasavam e não haviam equipamentos.

Desta vez, o boom da construção voltará (talvez um pouco menor do que o anterior), mas encontrará um mercado com pouquíssima produtividade, com empresas totalmente desestruturadas por conta da necessidade de sobrevivência após anos queimando caixa para manter equipe e ávidas por contratos e receita. Uma fórmula explosiva para continuarmos não investindo em produtividade, fazendo o que é urgente sem fazer o que é importante.

Em meu próximo post falarei sobre possibilidades e alternativas para melhorarmos a produtividade na construção civil brasileira e sobre como poderemos surfar a nova onda que vem por aí sem tantos sufocos, com menos gente qualificada à disposição e com estruturas muito mais enxutas.

*Luiz Henrique Ferreira é CEO da consultoria Inovatech Engenharia e conselheiro da Feicon Batimat.