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Um olhar brasileiro sobre a Futurebuild 2019

12/03/2019

Aproveitei o carnaval deste ano para ir à Futurebuild, uma feira em Londres que, como o próprio nome diz, trata sobre o futuro da construção. A feira tinha 17 arenas de conteúdo gratuito durante todos os dias (isso mesmo, dezessete). As arenas estavam divididas nos mais variados temas, indo de gestão de resíduos a eficiência energética, passando por materiais de construção, sistemas construtivos, um grande espaço dedicado à construção “off-site” com 4 arenas e muito mais.

Em alguns horários, tive que fazer escolhas difíceis sobre qual palestra assistir, pois tinha 3 palestras imperdíveis exatamente no mesmo horário. O mais legal de tudo isso é que todas as palestras eram gratuitas, não paguei nenhum centavo para ter horas e horas de conteúdo de alto nível. Destaco aqui três encontros de que mais gostei:

  • Aplicando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nas construções: um workshop superinteressante para elencar prioridades e correlações entre os 17 ODS para a construção de uma escola infantil. Uma experiência riquíssima que certamente irá agregar muito para os clientes da Inovatech daqui pra frente;
  • BlockChain para construção sustentável: um especialista da IBM, uma professora universitária, um advogado e um diretor de inovação de uma grande empresa de engenharia debateram em alto nível as vantagens e os desafios de se utilizar BlockChain na construção civil.

Os “Smart Contracts” fazem a autogestão baseada somente na rede de criptografia, liberando medições, pagamentos, faturamento e tudo mais sem a interferência humana. Foi dado um exemplo de uma grande indústria multinacional do ramo de alimentação que conseguiu reduzir em 75% seus custos de emissão de faturas somente com utilização de BlockChain.

  • Avaliação circular em BIM: uma discussão muito rica sobre como organizar as informações na metodologia BIM, e como hierarquizar os diferentes tipos de informações que devem ser divulgadas para cada interveniente ao longo de todo o desenvolvimento da construção.

Sobre o tema, para mim ficou claro que ainda temos muito a caminhar no Brasil quando o assunto é BIM, pois, dependendo da maneira como se olha a metodologia, ela pode significar muito trabalho para pouco resultado ou simplesmente ser uma revolução na maneira de projetar, planejar, executar e operar edifícios. Existe um mercado enorme de subprodutos que podem orbitar em torno da metodologia BIM.

 

Entre uma palestra e outra tive oportunidade de visitar os estandes. E, claro, não poderia deixar de compartilhar um pouco a respeito dos três itens que me surpreenderam:

1- Off-site Construction: a metodologia de produção em larga escala de construções na indústria somente para montar no canteiro de obras é algo que veio para ficar. Lá, vi inúmeras empresas que estão transformando o mercado com off-site construction, nos mais diversos sistemas construtivos, desde painéis de concreto até madeira e light-steel frame. Em toda a feira vi somente 2 fabricantes de blocos de isopor totalmente racionalizados. Enfim, ninguém mais faz obra rasgando paredes do jeito que fazemos aqui. A produtividade é palavra de ordem na Europa.

2- Economia Circular: há 4 anos, quando fui para a minha última feira na Europa, a economia circular (que consiste em reaproveitar ou reciclar 100% de tudo o que é gerado, não precisando mais extrair recursos não renováveis da natureza) era apenas um sonho, algo muito legal, com muitos estudos e papers sobre o assunto. Hoje já tem gente ganhando muito dinheiro e fazendo coisas superbacanas com economia circular. Gente que parou pra fazer as contas e mostrou que, em muitos casos, é mais barato ser circular do que linear.

3- Materiais de construção alternativos: tem muita gente boa investindo pesado em novos materiais de construção. Apesar do aço, madeira e concreto ainda estarem muito fortes, vi muitas soluções baseadas em compostos feitos de folhas e vegetais, com desempenho bem satisfatório.

 

Quero também aproveitar para mencionar dois temas que eu não vi na feira:

1- Impressão 3D: absolutamente nenhum expositor e nenhuma palestra sobre impressão 3D. O que deu pra perceber é que, pelo menos na Futurebuild, a construção industrializada no sistema “off-site” não cruza com o caminho da impressão 3D. Isso reforçou minha convicção de que impressão 3D é boa para componentes, mas não faz sentido – pelo menos, no curto prazo – pensar em imprimir casas inteiras com esta metodologia.

2- Certificações LEED, BREEAM, HQE: ninguém falou sobre estas certificações. A única certificação que foi bem mencionada foi a certificação WELL. Talvez pelo fato de o Reino Unido já ter seus códigos de obras bastante restritivos no aspecto sustentabilidade, ou talvez um sinal de que as certificações já mostraram seu valor e não são mais novidade pensando no futuro.

 

Conclusão

Toda vez que viajo para fora volto feliz e triste, ao mesmo tempo. Triste por ver o quanto estamos atrasados no setor da construção e o quanto nossa indústria é arcaica e conservadora. Isso nos leva a baixíssimos índices de produtividade, a um certo comodismo de que “sempre foi assim”, e ao equívoco de, muitas vezes, pensar somente no custo inicial, sem olhar para a qualidade e a performance das construções.

Por outro lado, volto feliz por saber que a Inovatech está no caminho certo. Muitas das coisas que já fazemos para nossos clientes acontecem lá fora, e ainda tem muita coisa boa pra fazer nesse Brasil para tornar as construções mais eficientes, confortáveis e com uma pegada ambiental mais leve.