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Agenda 2020, quem poderia prever o que estamos passando

Agenda 2020, quem poderia prever o que estamos passando…

28/04/2020

Nosso CEO* faz uma reflexão sobre o que estamos vivendo, devido ao Covid-19, em 2020. Ano que era o grande divisor de águas quando se começou a falar de sustentabilidade e emissões.

Comecei a me envolver com construção sustentável no final de 2005. Foi quando fundei a Inovatech com o objetivo de ser uma empresa de engenharia diferente, com atuação 100% focada em sustentabilidade. Naquela época 10 entre 10 artigos internacionais que eu pesquisava sobre construção sustentável falavam da “Agenda 2020”, que consistia num conjunto de metas ambientais visando o longínquo ano de 2020. Estas metas diziam quais as ações que deveriam ser tomadas para que em 2020 chegássemos a um mundo com construções mais sustentáveis e menores emissões.

Previsões para 2020

Nós mesmos na Inovatech fizemos em 2012 uma agenda 2020 da Inovatech, onde todas as nossas projeções indicavam um número muito grande de construções sustentáveis no Brasil e no mundo. Assim como o uso massivo de co-geração e energias renováveis nos edifícios, além de uma implantação mais efetiva da política nacional de resíduos sólidos, que iria favorecer a reciclagem e gestão mais adequada de resíduos. Naquela época começavam as primeiras conversas sobre economia circular. O mercado de crédito de carbono estava super aquecido por conta do término da vigência do protocolo de Kyoto.

Um outro aspecto que sempre comentei com pessoas que me conhecem há muito tempo era o “comportamento sustentável”, que basicamente consiste em fazer com que a sociedade mude seus hábitos para que seja mais eficiente do ponto de vista de emissões. Isto sem abrir mão do conforto e bem estar. Ações simples como deixar o carro em casa, minimizar deslocamentos, evitar desperdício e tudo mais.

Sustentabilidade hoje

Pois é, chegamos em 2020 com pouco avanço em relação às metas das “agendas 2020”. No Brasil o número de empreendimentos sustentáveis certificados ainda representa menos de 1% do total de edifícios e desde a crise de 2014 vem demorando para se recuperar, afinal certificação e sustentabilidade foram itens cortados da agenda de boa parte das empresas que estavam lutando pela sua sobrevivência.

Queda nas emissões de carbono na crise do Covid-19

Por outro lado, 2020 certamente será marcado na história como o ano de maior redução global de emissões, promovido justamente pela mudança radical no hábitos da humanidade. Deslocamentos aéreos, tradicionalmente conhecidos como os grandes vilões das emissões foram reduzidos ao pó; deslocamentos terrestres também reduziram-se drasticamente; pessoas deixaram de consumir itens não essenciais e consequentemente a indústria passou a produzir menos, emitindo muito menos CO2 em nível global. Os gráficos abaixo mostram que 2020 já terá uma redução de emissões maior do que todas as outras recessões juntas desde 1945.

Gráfico de emissões de carbono ao longo do tempo, com projeção para 2020
Pandemia Covid-19 pode resultar em queda de 5% das emissões de carbono em 2020 Fonte: The Guardian, Global Carbon Projetct, CDIAC
Gráfico de quedas históricas de emissões de carbono ao longo do tempo, com projeção para 2020
COVID-19 pode causar queda histórica nas emissões de carbono
Fonte: The Guardian, Global Carbon Project

Ninguém imaginava que com todos os avanços da ciência e da medicina um vírus colocaria metade da humanidade em casa, levando ao colapso de setores inteiros da economia, que certamente irão gerar grande endividamento e sofrimento da população. Por outro lado, pudemos observar a utilização de gigantescos mecanismos governamentais coordenados com ações do setor privado que estão amortecendo e muito o sofrimento da humanidade. Ainda é cedo para falar e tentar mensurar o tamanho do impacto, mas haviam quantidades enormes de emissões de CO2 decorrente de atividades totalmente superficiais. Por exemplo:

  • Viagens aéreas para reuniões pontuais
  • Consumo de produtos supérfluos
  • Uso exagerado de peles de vidro em escritórios corporativos
  • Consumo gigantesco de ar-condicionado

Reflexões para o futuro

Fica para o futuro a reflexão sobre como será o novo “comportamento sustentável”. Precisaremos mesmo fazer reuniões presenciais usando a “ponte aérea” como fazíamos antes? Conseguiremos nos exercitar mais em casa sem precisar de tantas academias com ar-condicionado no máximo? O mercado imobiliário finalmente passará a conceber mais produtos considerando o bem-estar das pessoas dentro dos apartamentos? Os studios super compactos continuarão como tendência?

Ficaremos mais pobres financeiramente, não há dúvida. Porém tenho a certeza de que a humanidade sairá desta crise muito mais rica do que entrou, pois tivemos uma primeira amostra do tamanho do impacto que um vírus pode gerar na humanidade. As mudanças climáticas seguirão o mesmo caminho. Serão impactos gigantescos que não existirá dinheiro no mundo capaz de segurar o estrago causado por nós mesmos ao ignorarmos a questão de emissões de CO2 e mudanças climáticas.

*Luiz Henrique Ferreira, CEO e Fundador da Inovatech Engenharia.