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Estadão: Luiz Henrique escreve sobre jardins de condomínios e crise hídrica

13/10/2015

Em artigo, diretor da Inovatech aborda a tendência dos condomínios-clube e como ela impacta as cidades em tempos de escassez de água.

Os jardins são um dos principais vilões das áreas comuns de condomínios. Na última década, o mercado imobiliário redefiniu o conceito de seus produtos, trazendo para o consumidor os “condomínios-clube”, que concentram uma grande área de lazer comum a todos os moradores, onde basta pegar o elevador para ter acesso a todas as atividades que um clube de primeira linha pode proporcionar.

A solução tem um lado positivo que é justamente concentrar moradia e lazer em um único local, porém muitas vezes o custo de operação de toda essa infraestrutura pode ser um pesadelo para síndicos e administradores, tendo reflexos diretos na qualidade de vida dos moradores.

Segundo dados do Secovi-SP, a conta de água consome em média 13% do orçamento dos condomínios residenciais, sendo 10% para as unidades habitacionais e 3% para as áreas comuns dos edifícios. Muitos dos condomínios mais modernos possuem medição individualizada, fato que além de gerar economia no consumo global, permite aos administradores uma noção exata do volume de água utilizado pelas áreas comuns, uma vez que o consumo destas áreas não fica diluído na conta global do condomínio. É nessas horas que os síndicos e administradores passam a ter ferramentas excelentes para a gestão dos recursos hídricos.

Os jardins são um dos principais vilões das áreas comuns de condomínios, pois demandam uma quantidade significativa de água para se manterem vivos, bonitos e exuberantes. Quando o condomínio dispõe de água de reuso, a rega de jardins acontece sem muito peso na consciência, porém a grande maioria dos condomínios acaba tendo que utilizar água potável para esta finalidade. A média de consumo de água de um jardim em um condomínio com uma rega manual sem nenhuma gestão pode chegar a até 7 litros por metro quadrado por dia, ou seja, um jardim de um condomínio clube com 1.000 metros quadrados pode consumir a mesma quantidade de água de 10 apartamentos.

Com a crise hídrica e constante preocupação com a economia de água, muitos condomínios estão deixando de regar suas plantas para economizar água, e em muitos casos esta ação pode gerar prejuízos muito grandes devido à morte da vegetação.

Existem diversas maneiras de preservar os jardins, para que não haja o sacrifício de plantas que podem ter demorado décadas para crescer, e geram grande conforto e bem estar para os moradores, além de terem representado um investimento significativo no momento de sua constituição.

Um dos caminhos mais eficientes e que não gera questionamentos do ponto de vista estético é investir em um sistema de irrigação eficiente. O sistema permite distribuir a quantidade exata de água que cada planta necessita, pois possui sensores computadorizados que medem a umidade do solo ou até mesmo mini-estações meteorológicas, que garantem que não haverá desperdício de água, reduzindo em até 30% o consumo em relação a uma rega convencional com mangueira.

Entretanto, às vezes o investimento inicial em um sistema de irrigação pode não caber na previsão orçamentária do condomínio, e outro caminho é contratar um especialista (engenheiro agrônomo ou paisagista) para apoiar o condomínio numa substituição gradual das espécies exóticas e não adaptadas ao clima por espécies nativas ou adaptadas. As espécies exóticas tendem a consumir muito mais água, e com o auxílio de um profissional especializado, é possível fazer o mapeamento das espécies que consomem mais água em um jardim, e traçar um plano de redução de consumo mantendo padrões estéticos e funcionais. Em muitos casos é possível substituir áreas gramadas com alto consumo de água por pedriscos ou cascas de árvore, que podem inclusive contribuir para reter umidade no solo e demandar menos água de irrigação.

Para ver essa matéria na integra, acesse: http://economia.estadao.com.br/blogs/radar-imobiliario/jardins-e-crise-hidrica/