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Por que incluir sustentabilidade na estratégia da empresa?

Empreendedores precisam consolidar compromissos socioambientais para garantir a sobrevivência no mercado e mais rentabilidade no médio prazo

Por Luiz Henrique Ferreira

A população do planeta cresceu exponencialmente nos últimos 200 anos, saltando de aproximadamente 1 bilhão para mais de 7 bilhões de pessoas. Certamente, a revolução industrial foi um dos principais motivos para essa explosão demográfica, uma vez que possibilitou que praticamente tudo fosse produzido em larga escala, desde medicamentos até alimentos, passando por roupas, veículos e qualquer outra necessidade do ser humano.

Entretanto, o modelo de desenvolvimento não previa que, em algum momento, os recursos naturais poderiam acabar, ou mesmo que a soma dos impactos ambientais de todas as indústrias poderia afetar de maneira irreversível a disponibilidade da matéria-prima necessária para a produção de todos os bens necessários à população, devido aos fenômenos demudanças climáticas decorrentes da emissão de gases de efeito estufa.

Não se pensou também que a poluição decorrente dos processos produtivos e da geração de resíduos poderia prejudicar drasticamente a saúde da população como, por exemplo, o uso de agrotóxicos em larga escala e o uso de amianto na construção civil, entre outros.

A consequência da explosão populacional aliada à falta de preocupação com os impactos ambientais das atividades empresariais e industriais é um ambiente de alto risco para os negócios, pois, por um lado, a demanda não para de crescer, mas, por outro lado, a oferta de matéria-prima se torna cada vez menor, principalmente para as empresas dependentes de combustíveis fósseis e outros recursos naturais não renováveis, como é o caso da construção civil.

A escassez de recursos naturais não renováveis certamente levará ao aumento do custo de matéria-prima e, em alguns casos, pode até inviabilizar determinados tipos de negócios. As atividades ligadas à extração de carvão, por exemplo, já começam a sofrer desinvestimentos de grandes fundos.

Da teoria à prática
A revolução tecnológica em curso somada à explosão populacional agrava as pressões sociais, uma vez que o modelo econômico atual não previa, inicialmente, a necessidade de empregar tantas pessoas, num cenário onde máquinas substituem cada vez mais a necessidade de mão-de-obra. As consequências negativas do modelo de desenvolvimento econômico atual começam a aparecer rapidamente, gerando prejuízos financeiros e reputacionais para as empresas que não estão atentas à governança socioambiental.

Um estudo do MIT junto com a BGC, feito com 3.000 gestores em 100 países, mostra que 60% dos investidores estão considerando retirar recursos de empresas que possuem pouca ou nenhuma ação ligada à sustentabilidade. Estes mesmos investidores acreditam que uma sólida performance de sustentabilidade reduz riscos das empresas, e consequentemente, reduz seus custos de capital.

Sobram exemplos de boicotes a empresas quando algum tema sensível à responsabilidade socioambiental vem à tona, e a mesma pesquisa do MIT/BCG mostra que, em 2016, 90% dos entrevistados acredita que uma estratégia de sustentabilidade é essencial para que as empresas se mantenham competitivos, porém apenas 25% dizem que suas empresas desenvolveram uma estratégia.

O setor da construção civil ainda é fortemente dependente de recursos naturais não renováveis, e responde diretamente por aproximadamente 6% do PIB mundial, com alto grau de ineficiência. Paralelamente, os grandes investidores já estão aportando trilhões de dólares na economia verde, e empresas do setor da construção civil que tiverem a sustentabilidade incorporada às suas estratégias de maneira séria e consolidada certamente serão mais rentáveis no médio prazo, terão riscos menores e uma eficiência operacional indispensável para garantir a sua sobrevivência.


Luiz Henrique Ferreira é engenheiro civil e diretor da Inovatech Engenharia