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3 Mitos sobre Norma de Desempenho e Gestão de Processos

Quem disse que planilhas de Excel são a melhor maneira de encarar as mudanças que a NBR 15.575 está provocando no setor imobiliário?

Por Luiz Henrique Ferreira

No último ano tenho conversado com muitos clientes sobre as dificuldades para implantação da Norma de Desempenho nas empresas, principalmente depois das exigências do PBQP-h, de que todas as empresas devem adaptar seus sistemas de gestão para atender à NBR 15.575. Na imensa maioria das vezes, encontro clientes frustrados e, em última análise, ainda tentando encontrar a melhor maneira de lidar com a questão.

Para tentar ajudá-los, eu e um dos sócios da Inovatech, o engenheiro Willian Konishi, temos trabalhado para encarar a questão de maneira mais profunda, procurando entender e melhorar a gestão de processos nas empresas. Nesse trabalho de consultoria, com frequência encontramos 3 mitos criados em relação à Norma de Desempenho, que listamos aqui, com algumas dicas do que pode ser feito para escapar dessas armadilhas:

1-A Norma de Desempenho é responsabilidade da área de engenharia das construtoras
A conclusão que chegamos em nossos estudos é que os empreendedores devem cada vez mais se posicionar de maneira que toda a cadeia seja responsável, e é fundamental que essa responsabilidade seja realmente compartilhada por todos os envolvidos, sejam eles fornecedores, projetistas ou representantes das incorporadoras e construtoras.

Na nossa visão, não faz o menor sentido olhar para a norma de desempenho como um monte de capítulos e barreiras que precisam ser transpostas, muito menos criar um documento padrão para cada empreendimento, em que todo mundo assume suas responsabilidades no papel. Na prática, isso simplesmente cria uma ferramenta jurídica para empurrar a responsabilidade em caso de um problema futuro.

Para auxiliar nossos clientes, criamos ferramentas colaborativas para que as decisões sejam tomadas nos momentos ideais de projeto, compartilhando as responsabilidades com toda a equipe envolvida.

2- Colocar todo mundo na sala de aula para interpretar a norma é a solução
Muitos clientes me contam que, na prática, esses treinamentos surtiram pouco ou nenhum efeito no dia a dia de suas empresas. Além da diversidade enorme de qualidade dos cursos oferecidos, percebo que colocar todo mundo numa sala de aula para ler a norma tem gerado resultados pouco tangíveis, especialmente num mercado instável como o imobiliário, em que a alta rotatividade das empresas leva embora não apenas os talentos, mas também o conhecimento adquirido nos treinamentos.

Olhar para a Norma de Desempenho capítulo por capítulo e tentar interpretar seus itens fora do contexto da cultura empresarial pode ser uma boa oportunidade para jogar dinheiro fora.

3- Planilhas de Excel são a salvação
Chama atenção a quantidade de empresas que utiliza planilhas de Excel para controlar o atendimento à NBR 15.575. Não é raro eu encontrar planilhas com mais de mil campos (isso mesmo, mil campos!) que precisam ser preenchidos por mais de uma dezena de pessoas dentro da empresa. Ora, quem foi que disse que Excel deve ser utilizado para gerenciar projetos complexos e com múltiplos atores? Excel é para fazer planilhas, somas, multiplicações e gráficos. Ele não é e nunca foi uma ferramenta de gestão.

Para nós, o mercado imobiliário não precisa de uma planilha de Excel e de aulas de interpretação da norma, pois o real desafio é mudar a gestão de processos das empresas como foco em aprimoramento de performance. Cabe a nós transformar a cultura de desenvolvimento de projetos e obras, atuando de maneira preventiva e com o foco na melhora da performance de empreendimentos, deixando em segundo plano a questão de apontarmos o dedo para os futuros culpados, caso algo de errado aconteça.

Hoje, depois de mais de um ano de intenso desenvolvimento e com a confiança de alguns clientes nesta visão diferente do mercado, estamos com resultados bem bacanas. Para estes clientes, a norma de desempenho deixou de ser um bicho de sete cabeças e ninguém mais sente saudades das planilhas em Excel com milhares de campos e quase 50 colunas para “controle” da norma de desempenho…


Luiz Henrique Ferreira é engenheiro civil e diretor da Inovatech Engenharia