Fruki Bebidas

Em Canoas, RS, os dois novos prédios da indústria de refrigerantes – o centro de distribuição e o prédio administrativo - conquistam certificação AQUA com ajuda da Inovatech, que realizou inúmeras simulações computacionais para definir as soluções mais eficientes e sustentáveis


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A relação da Inovatech com a Fruki Bebidas, fabricante de refrigerantes do Rio Grande do Sul, teve início em um momento bastante especial da empresa. Os bons números de crescimento no volume de vendas e no faturamento levaram a indústria a decidir investir R$ 20 milhões em novas instalações: a construção de um novo Centro de Distribuição e de um edifício administrativo, ambos em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Pensando no futuro, a Fruki, líder de mercado no estado com seu guaraná e a água mineral da marca Água de Pedra, apostou em edifícios sustentáveis e, para isso, chamou a Inovatech para ajudá-la no processo que culminou com a certificação AQUA, em 2012, do pré-projeto à conclusão da obra.

Para conquistar a certificação, alguns detalhes do projeto sofreram modificações. Como resultado, a sustentabilidade comprovada por uma entidade independente trouxe também diversas vantagens relacionadas à eficiência, ao conforto e à economia. “As nossas recomendações de sustentabilidade somaram-se à cultura corporativa do cliente, alinhada com sustentabilidade e responsabilidade social, e isso possibilitou alcançarmos bons indicadores de sustentabilidade na fase de construção”, avaliou o diretor da Inovatech, Luiz Henrique Ferreira.

Os novos edifícios somam 15 mil m² de área construída, em um terreno de 40 mil m². No galpão de logística e no centro administrativo, destacaram-se o conforto termoacústico e a iluminação natural. Pesaram na certificação a proximidade com transporte público (haverá uma estação de Metrô próxima ao CD) e até o uso de bicicletas por parte dos funcionários, incentivado por um bicicletário.

Para economizar água, foi implantado um sistema de aproveitamento de água da chuva, por meio da captação na cobertura do galpão, com 3 mil m², executada com telhas metálicas zipadas.

No total, água, estima-se uma economia de 21,6% no consumo de água, o equivalente a 1.312 litros por dia. O consumo total dos 200 funcionários seria de 7.332 litros em um dia, mas, devido ao uso de água da chuva, torneiras economizadoras e bacias de duplo acionamento, esse número cai para 5.750 litros por dia, com consumo zero nas bacias sanitárias e mictórios, que são abastecidos com água da chuva.

O maior desafio foi equacionar o conforto térmico nas duas unidades, considerando a grande amplitude térmica da região, que pode ser de mais de 25 graus em um único dia, e com verões de 40 graus e dias de inverno com menos de 2 graus Celsius. Essa característica demandou um estudo aprofundado para garantir conforto aos ocupantes dos edifícios. “Fizemos uma simulação por meio de software especializado, o que nos permitiu estudar diversas opções”, explicou Ferreira, contando que foi preciso chegar a um meio termo entre escolhas boas para o inverno e ruins para o verão.

Esse foi o caso do prédio administrativo, que necessitou de sistema de condicionamento de ar para enfrentar o verão, com aparelhos do tipo split com selo de eficiência A ou B do Procel, e que podem ser desativados no inverno. A escolha foi a melhor solução em termos de custo-benefício, com flexibilidade de uso e menos gastos anuais com consumo energético.

Considerando a orientação do edifício e a viabilidade técnica e econômica do projeto, brises para reduzir a carga térmica do verão foram dispensados, já que no inverno a luz do sol é bem-vinda para aquecer os ambientes. Vidro laminado de 8 mm, com bom desempenho, e janelas basculantes que podem ser abertas eventualmente para a ventilação natural dos ambientes nas estações mais amenas proporcionam mais conforto aos usuários.

No Centro de Distribuição, a iluminação natural foi a solução, superando em três vezes as exigências do AQUA para o nível excelente, que é de 12 watts por m². No caso do CD da Fruki, foram alcançados apenas 3,5 watts por m². A cobertura do CD ainda conta com isolamento termoacústico.

Há um espaço de convivência com banheiros e vestiários, destinado aos motoristas que estacionam no CD. Para os banhos, embora os chuveiros elétricos não sejam energeticamente eficientes, foram a alternativa mais econômica, em razão do uso ser eventual. “Se a opção fosse por painéis solares, o custo do sistema seria muito alto. E é preciso levar em conta o alto custo energético para fabricação de um boiler de aço inox, bem como a frequência e o horário dos banhos”, explica Ferreira.

No prédio administrativo, também foram recomendados chuveiros elétricos, para uso eventual dos funcionários, o que não justificaria o uso de painel termossolar, que ainda perde eficiência com a incidência oblíqua da luz do sol no inverno sulino.


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