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Revolução digital na construção civil

Revolução digital: o encontro das startups com as construtoras familiares

06/11/2019

Em meio ao nascimento de tantas construtechs, é preciso lançar uma pergunta, pensando no custo-benefício das soluções que elas oferecem: como será a interface entre essas novas tecnologias e a cultura particular de cada empresa?

 

Por Luiz Henrique Ferreira

Muito se tem falado da revolução digital ou da transformação digital no setor da construção civil. Eu vejo isso com muita alegria. É muito bom ver a quantidade de startups que vêm nascendo com o objetivo de resolver, de fato, os problemas do setor.

Aqui na Inovatech, nós acreditamos muito nisso e, nesse sentido, a iniciativa da Casa24h é um bom exemplo. Estamos sempre muito antenados com várias startups que vêm até nós para apresentar suas soluções.

Mas eu acho que existe um contraponto nessa história. Embora seja inegável que elas têm potencial para realmente transformar o mercado, muitas das startups com quem temos conversado vendem uma solução pontual para um único problema da obra ou do desenvolvimento do projeto.

Dessa forma, muitas vezes elas não têm uma visão do todo, ou seja, de todo o ciclo de produção de um edifício. Resultado: às vezes, a startup se propõe a resolver um certo problema que, quando situado num contexto mais amplo do empreendimento, ganha uma representatividade desproporcional à proposta de valor daquela startup.

Em outras palavras, a empresa acaba supervalorizando determinado problema. Mesmo que a solução oferecida pela startup possa representar uma economia de algumas dezenas de milhares de reais, isso pode não ser tão significativo em uma obra de centenas de milhões de reais.

Startups e desafios no caminho

É comum que algumas obras apresentem outros gargalos maiores. Além disso, uma solução criada por uma construtech pode gerar a necessidade de inclusão de novas rotinas, de qualificação de equipe ou de implantação de softwares. No final, algumas vezes isso pode acabar por não resolver o problema daquele empreendimento.

Ainda assim, são iniciativas bacanas e eu não gostaria de citar nem criticar nenhuma startup. Mas falo do que vejo e do que ouço dos nossos clientes. Outro dia, um deles comentou que a solução apresentada por uma determinada startup era muito interessante, mas que não conseguia eliminar uma pessoa do canteiro de obras dele. No fim das contas, segundo ele, a relação custo-benefício não valia a pena.

Outra startup, com quem chegamos a conversar, dizia ter uma solução em BIM. Mas aí perguntamos se seria possível mandar nosso modelo em BIM e, com base nele, eles ofertariam a solução deles e devolveriam a proposta para nós.

A resposta foi não. Disseram que tinham desenvolvido uma plataforma própria, que não “conversa” com os outros softwares BIM. Então, pensei, isso não é BIM, porque BIM é justamente a intercambiabilidade de informações pra lá e pra cá…

Apostas de futuro

A revolução digital tem que acontecer a partir da ideia de agregar valor à empresa. Ela não deve ser algo aplicado com foco em ficar substituindo pessoas, por exemplo. Acreditamos que, ao invés disso, é melhor qualificar os profissionais e conquistar novos patamares de qualidade e eficiência para o trabalho que eles realizam.

Então, diante de tudo isso, o que eu vejo para o futuro? Eu vejo a revolução digital não como uma moda, mas como uma onda que vai assentar e parar no seu devido lugar. Para mim, penso que as empresas que vão sobreviver serão aquelas capazes de mesclar o digital com o analógico.

Só terão sucesso no nosso mercado da construção as startups que conseguirem compreender as particularidades de cada empresa. De modo especial, vale lembrar que muitas construtoras são empresas familiares, que têm a cara da família que as fundou. São pouquíssimas as empresas com nível de governança alto.

Em resumo, as empresas que vão sobreviver serão aquelas que souberem adaptar suas soluções digitais à cultura organizacional de cada empresa e à gestão de cada família. O desafio é que essas startups precisam de escalabilidade. Elas têm soluções que requerem milhares ou dezenas de milhares de clientes para parar em pé financeiramente e entregar sua tese de investimentos.

Por tudo isso, acredito que vão vencer e perpetuar aquelas que conseguirem criar soluções flexíveis ou, no caso da Inovatech, compor o portfólio de soluções digitais para os seus clientes, sem ficarem presas a uma tese de investimentos de escalabilidade. Vamos esperar os próximos passos que vêm por aí nessa revolução digital!