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produtividade nos escritórios de arquitetura e engenharia: chave para aumentar a produtividade e fazer o setor crescer

Produtividade em projetos: um gargalo mais próximo do que imaginamos

27/06/2019

Se acreditamos que o pior já passou e voltaremos a crescer muito em breve, é preciso investir para aumentar a produtividade também nos escritórios de engenharia e arquitetura  

 

A aprovação da reforma da previdência é motivo de grande expectativa de todos. O mercado imobiliário se prepara para uma grande retomada nos lançamentos, a partir do segundo semestre de 2019. Depois de anos com quase ou nenhuma atividade, as incorporadoras se mostram bastante otimistas com os próximos anos, apesar de um primeiro semestre meio esquisito. Em conversas com clientes, o sentimento geral é de que o pior já passou. Estamos numa situação de equilíbrio e em breve voltaremos a crescer.

O que eu tenho observado e alertado o mercado é sobre um entrave importante para a retomada do crescimento do setor: a produtividade no desenvolvimento dos projetos. Assim como nas incorporadoras e construtoras, os escritórios de engenharia e arquitetura sofreram muito com a crise. Eles perderam muitos talentos para outros setores da economia, ou até mesmo para outros países.

É bem comum ouvir casos de engenheiros e arquitetos que simplesmente desistiram de procurar emprego em projetos e mudaram de ramo de atividade. Alguns juntaram as malas e foram tentar a vida em outro país como Canadá, Austrália ou Estados Unidos.

No entanto, a recomposição de equipes em escritórios de projetos é algo relativamente complexo e demorado. Pois, em muitos casos, os ex-funcionários de um escritório grande abriram seus pequenos escritórios e estão empreendendo não por vocação, mas por falta de opção. Eles pegam um servicinho aqui e outro ali, eventualmente para os próprios clientes que contratavam os escritórios grandes onde estes profissionais trabalhavam.

Escritórios de projetos: capacidade para honrar compromissos?

Agora, com a retomada iminente da economia, o primeiro setor que será impactado será justamente o de projetos arquitetônicos e de engenharia. Mas este carece de capacidade para honrar compromissos, uma vez que seus quadros estão super-reduzidos e os índices de produtividade do mercado estão baixíssimos. Isso ocorre justamente por conta desta fragmentação na qual, na luta pela sobrevivência, existem inúmeros miniescritórios de projetos ou consultoria fazendo um pedacinho da solução que o mercado precisa.

Ao longo dos últimos anos, me deparei com clientes da Inovatech que chegam a contratar 20 ou 30 empresas diferentes para desenvolver um empreendimento relativamente simples de uma única torre. Devido à crise, existe uma superoferta de serviços fragmentados, com a grande maioria dos miniescritórios com seus titulares lutando para sobreviver, sem capacidade de investimento em tecnologias e gestão de processos para melhorar a produtividade.

Certamente, não há dúvida de que contratar serviços isolados de miniescritórios tende a ser mais barato do que concentrar mais serviços em um escritório maior. Isso vale até porque o miniescritório normalmente opera com uma estrutura mais enxuta. Entretanto, a estrutura mais enxuta não é o principal diferencial no custo, pois os escritórios de projeto sempre tiveram a estrutura enxuta.

Miniescritórios: investir em tecnologia e gestão de processos será fundamental

O que está acontecendo é que a equação financeira na composição dos preços do miniescritório é uma equação voltada simplesmente para remunerar o titular e sua equipe. Ou seja, ela não permite investimento constante em capacitação, compra de softwares, compra de equipamentos, pesquisa e desenvolvimento, entre outros. O resultado disso são gigantescos atrasos nos cronogramas de projetos, pois os empreendedores passaram a ter que gerenciar o dobro de empresas que antes gerenciavam, numa falsa impressão de que fragmentar o escopo em diversas empresas custa mais barato.

Ainda nessa linha, recentemente recebi um projeto para orçamento que estava na revisão 17 do pré-executivo, e já vi projetos passando da revisão 30! Ora, um projeto não deveria ter 6 emissões (EP, AP, PL, PE, EX, LO)? O que vejo hoje é uma correria para “trocar o carimbo” e zerar as revisões de projeto, para esconder a sujeira para baixo do tapete e continuar alimentando a ineficiência na condução de projetos.

Por outro lado, estudos da McKinsey mostram que empresas que investem pesado em produtividade de projetos reduzem custos em 7,9% e prazos em 5,6% em média. Porém, não é o que eu tenho visto ultimamente. A alta taxa de ociosidade nas incorporadoras está gerando um problema seríssimo: não olhar para produtividade, fazendo “terapia ocupacional” de equipe com a falsa impressão de que 17 revisões num projeto é algo normal.

Se tempo é dinheiro, bora investir em produtividade também na fase de projetos?

Por Luiz Henrique Ferreira, CEO & Fundador da Inovatech Engenharia

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