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Norma de Desempenho é teste de produtividade e boa engrenagem da empresa

Norma de Desempenho: um bom teste de produtividade para as empresas

10/10/2019

Internalizar e ajustar os processos da NBR 15575 dentro da própria empresa vai além de ajudar no atendimento à norma. É uma oportunidade para avançar em melhorias na gestão da engrenagem interna, ganhar mais eficiência e, assim, reduzir custos

 

Por Willian Konishi*

Em vigor desde 12 de julho de 2013, a Norma de Desempenho compilou uma série de normas técnicas que já existiam anteriormente (de disciplinas como, por exemplo, estrutura, fundação, impermeabilização, hidráulica e elétrica). Mas, em especial, a NBR 15575 definiu parâmetros mínimos de desempenho da edificação para pontos que careciam de clareza nessa questão. É o caso dos confortos acústico, térmico e lumínico, além de requisitos referentes à disciplina técnica de manutenção do edifício.

Para o atendimento destes itens, as empresas têm adotado diversas estratégias. Ao longo desses 6 anos orientando clientes, nós constatamos que a forma mais efetiva de reduzir custos e obter melhores resultados é a internalização e adaptação dos processos dentro das próprias empresas.

Dessa forma, o papel da empresa de consultoria é auxiliar as empresas a reestruturar seus processos e gerar ferramentas para que elas possam atender à norma de maneira independente e, mais do que isso, com mais produtividade e eficiência, evitando dilemas comuns, como os que descrevo a seguir:

1- Aprender “em casa” ou contratar consultoria a cada novo projeto?

O atendimento à NBR 15.575 envolve a necessidade de verificação de diversos pontos de projeto, como pé-direito mínimo, áreas de ventilação de gás, áreas de ventilação de esquadria, possibilidade de manutenção, entre outros.

Para que ocorram de forma sistêmica, recomendamos que as verificações sejam incorporadas nas premissas enviadas aos projetistas, e se necessário, que sejam realizadas verificações pelas equipes de projetos/coordenação. Não acreditamos que seja eficiente contratar uma empresa de consultoria para realizar a mesma análise para diversos projetos. Isso acabará custando mais caro e não perpetuará o aprendizado na empresa.

2- Simulações do tipo “atestado de projeto” ou simulações com contribuições efetivas e não onerosas?

Para as avaliações de conforto lumínico, vemos muitas empresas contratando as simulações após o projeto ser aprovado na prefeitura. Costumamos dizer que, nesta etapa, a simulação é apenas um atestado do projeto concebido e que as alterações necessárias podem ser muito caras ou impossíveis sem a reprovação da prefeitura.

Por essas razões, temos recomendado que as empresas revisem seu fluxograma e realizem as simulações em conjunto com as etapas preliminares do projeto, pois neste momento é possível contribuir de maneira efetiva e não onerosa para o atendimento à norma de desempenho e, muitas vezes, melhorar o produto entregue.

3- Ensaios múltiplos e custosos ou uma padronização inteligente, que permita um único ensaio capaz de atender todas as obras?

A norma de desempenho exige diversos ensaios para comprovação dos diferentes desempenhos, mas isso não precisa implicar novos ensaios a cada novo projeto. Com nossos clientes, temos procurado criar soluções que permitam otimizar os ensaios, reduzindo seus custos. E isso tem tudo a ver com gestão de processos internos.

Um exemplo simples e recorrente que podemos mencionar é o ensaio de mão francesa. Para este ponto, recomendamos que a empresa inicialmente crie e padronize a forma de execução do sistema de mão francesa. Assim, posteriormente, ela poderá realizar um único ensaio que atenda todas as suas obras.

4- Um problema a mais na rotina da empresa ou uma chance de melhorar os processos corporativos?

Acreditamos que a Norma de Desempenho pode deixar de ser vista como um problema ou um desafio extra para as construtoras. Ao contrário, ela pode passar a ser encarada como uma oportunidade para que elas revejam seus processos por outra ótica, utilizando os itens da norma como uma ferramenta para melhorar, padronizar e otimizar os seus processos.

5- Seguir na ineficiência ou investir na industrialização da construção e melhorar seus projetos?

Muito tem sido falado sobre a industrialização da construção civil, com sistemas construtivos como o Light Steel Frame e placas pré-moldadas, e também sistemas como kits de hidráulica e banheiros prontos.

Novamente, temos aqui a mesma “lição”: industrializar é bom e pode ajudar, sim, no atendimento à norma, pois a industrialização dos processos é uma forma de melhorar o controle de execução e padronização dos processos internos. Otimizar esses processos reduz custos, diminui as ineficiências e, de quebra, melhora também os projetos.

Produtividade é um bom caminho sem volta

Por fim, além de permitir o atendimento à norma de maneira mais ágil, barata e descomplicada, não temos dúvida de uma coisa: os aprendizados conquistados pelas empresas a partir das transformações na gestão de processos internos se estenderão para muito além das fronteiras da norma de desempenho. Toda a empresa sentirá os benefícios do aumento da produtividade e da eficiência, como um bom – e desejado -caminho que não tem volta.

 

*Willian Konishi é sócio e responsável pela área de Gestão de Processos e Plataformas Digitais na Inovatech Engenharia.