Blog

Espaço para você acessar nossas novidades e notícias relevantes para o setor

Estratégia BIM BR: como fica sua empresa nessa história?

Estratégia BIM BR: como fica sua empresa nessa história?

03/03/2020

Plano do governo para acelerar a disseminação da ferramenta BIM no país é um convite e um aviso de que o mercado da construção precisa se transformar

 

Até o governo federal já entendeu que o setor da construção no Brasil anda devagar em termos de produtividade e investimentos em tecnologia. Segundo dados da McKinsey, nos últimos 20 anos a produtividade do setor aqui no país cresceu apenas 1%.

Em todo o mundo, não chega a ser novidade o fraco desempenho da construção civil nesse quesito, apesar de o setor representar 13% do PIB mundial. Mas o momento, mais do que nunca, agora pede mudanças.

Para tentar dar um empurrão necessário, o governo lançou em 2018 um decreto (nº 9.983, de 22/08/2019, que revogou o primeiro, nº 9.377, de 17/05/2018), traçando um plano para disseminar a metodologia BIM (Estratégia BIM BR) em todo o país. O conteúdo segue alinhado com o discurso da CBIC, que coloca a ferramenta como carro-chefe dessa transformação.

Metas robustas

O que se espera até 2028 são resultados muito positivos, a partir da definição de metas bastante ousadas:

  • Alavancar a produtividade do setor em 10%;
  • Aumentar o PIB da construção civil em 28,9%;
  • Reduzir custos da construção em 9,7%.

Para isso, a Estratégia BIM BR estabelece um cronograma de ações e resultados, com início já a partir do ano que vem. Em 2021, algumas licitações de projetos de obras públicas (a serem definidos pelo Comitê Gestor da iniciativa) deverão prever o uso de BIM.

Trocando em miúdos, o que o governo quer é pressionar o setor a adotar a metodologia BIM – e, com isso, dar um salto importante. Atualmente, de acordo com pesquisa feita ano passado pela Fundação Getúlio Vargas, apenas 9,2% das empresas fazem uso da ferramenta BIM no Brasil.

Assim, as empresas que souberem entrar nesse barco no tempo certo, sentirão os benefícios e seguirão em frente, crescendo. Do contrário, se permanecerem como estão, ficarão cada vez mais para trás.

Conversamos sobre o assunto com o sócio e responsável pela área de Gestão de Processos e Plataformas Digitais na Inovatech Engenharia, Willian Konishi. Veja o que ele diz sobre essa iniciativa do governo federal:

Romper a inércia do mercado

“A ação do governo federal é uma medida importante para acelerar a disseminação do BIM no Brasil. Esta ação auxiliará no rompimento da inércia criada no mercado, que está acostumado a trabalhar com o CAD e tem a sensação e falsas impressões de que a utilização do BIM demora mais e/ou custa mais caro”.

Alinhar todo o setor

“É importante salientar que, para que o desenvolvimento do BIM ocorra de uma forma estruturada e sejam colhidos os frutos desse investimento, é necessário definir os resultados esperados. A partir daí, é importante que o governo federal auxilie na padronização, normatização e orientação, de forma que todo o setor da construção esteja amarrado (desde os fornecedores de materiais até o usuário final do edifício).”

Benefícios à vista

Para Willian Konishi, a Estratégia BIM BR irá fomentar o desenvolvimento de tecnologias e soluções no mercado brasileiro. Além disso, pensando em toda a cadeia da construção civil, ele acredita que podemos esperar também:

  • Redução de prazos e incompatibilidades dos projetos;
  • Maior assertividade nos orçamentos;
  • Diminuição das decisões tomadas em obra;
  • Mas facilidade na rastreabilidade das informações ao longo de todo o projeto;
  • Otimização das formas de comunicação e tomada de decisão do projeto;
  • Otimizar a realização do planejamento na obra.

Aliás, sobre este tema, já publicamos aqui o artigo “BIM: como investir na ferramenta confiando em bons resultados“. Vale a leitura!

Dor de crescimento

Para que a utilização do BIM ocorra de forma integrada, será necessário, segundo Konishi, “mudar a forma como muitos dos projetos são executados hoje em dia”. Entre as alterações a serem adotadas pelas empresas, ele destaca:

  • É importante estar ciente de que muitas decisões deverão ser antecipadas na elaboração do projeto. Afinal, a modelagem é a construção de forma antecipada no modelo. Devemos evitar decisões, compatibilização e tomada de decisão na obra;
  • Para o sucesso do BIM, é fundamental ter mapeadas as informações necessárias em cada uma das etapas de projeto. Isso exige que cada um dos participantes do processo saiba essas informações e o impacto que elas terão no decorrer do processo.

“Sem dúvida, realizar a quebra desses paradigmas levará o mercado da construção a atravessar uma etapa de dor de crescimento. Acredito que será possível, sim, atingirmos alguns dos benefícios do BIM até 2021. Mas, ainda teremos um longo caminho pela frente para até explorarmos todas as potencialidades da ferramenta”.

Quer saber mais sobre como atuamos com a ferramenta BIM? Entre em contato com a gente!