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certificações de sustentabilidade: gestão de projeto é fundamental

Certificações de sustentabilidade: gestão do projeto é peça fundamental

08/08/2019

Conquistar LEED ou AQUA não deve ser uma mera caça aos pontos de um checklist. É preciso trabalhar de forma integrada e tirar proveito, em todas as fases do projeto, das ricas referências de sustentabilidade que estão nos manuais desses selos

 

Por Luiz Henrique Ferreira*

Com bastante frequência, ouço no mercado que as certificações de sustentabilidade “exigem tal coisa”, “pedem tal coisa”. Essa é uma visão equivocada das certificações. Em geral, as pessoas estão acostumadas a olhar para a certificação como uma barreira que precisa ser transposta. Estão sempre preocupadas em bater aquele checklist para poderem passar para a próxima etapa do projeto.

Porém, no nosso entendimento, isso reflete uma visão distorcida do trabalho da consultoria de sustentabilidade. É algo que facilita a vida das consultorias, porque é só entrar em um certo ponto do projeto e simplesmente emitir um relatório dizendo o que tem e o que não tem no projeto.

Mas, convenhamos, essa prática costuma trazer pouco impacto real aos projetos e já tem gerado problemas no mercado.

Consultor X Auditor

Antes de mais nada, vale a pena lembrar que a figura do consultor deve ser bem diferente do trabalho de um auditor. Este, sim, pode entrar no projeto de forma isolada, nas etapas devidas, e apenas conferir o que e como foi feito.

Mas, quando pensamos em certificação de sustentabilidade, isso não tem o menor cabimento. É algo que tem criado uma caça aos pontos, e acontece porque muita gente não pensa na certificação como ferramenta de projeto!

Para quem não sabe, o manual dos selos AQUA e LEED, por exemplo (para citar os mais populares por aqui), traz uma quantidade de informação gigantesca sobre como projetar. Esses manuais deveriam ser aproveitados como um grande guia de referências para um projeto sustentável, e não um simples checklist.

Por aqui, costumamos destrinchar esse guia em cada uma das etapas do projeto. Ou seja, buscamos sempre refletir sobre as decisões que devem ser tomadas em cada parte do projeto, do estudo preliminar ao projeto de paisagismo, do anteprojeto ao executivo e em todas as premissas técnicas.

Visão transdisciplinar e integradora

Para que a certificação seja, de fato, um aprendizado com bons resultados, a gestão do projeto é, sem dúvida, peça fundamental. É necessário entender, sobretudo, quais são os itens que precisam ser olhados em cada fase do projeto. Dessa forma, lá na frente, a certificação terá sido puramente consequência de tudo isso.

Infelizmente, o que mais acontece é as consultorias olharem para essa guia em seus diferentes capítulos de forma isolada, organizando uma varredura transversal desses capítulos em certos momentos do projeto (e não em todas as etapas). Isso torna o processo mais prático, mais fácil, mas não tão eficiente. E vou explicar por quê.

O capítulo sobre eficiência energética, por exemplo, precisa ser olhado nas fases iniciais, porque é quando se pensa na envoltória, nas janelas, no sistema construtivo etc. Por outro lado, o capítulo de qualidade sanitária do ar entra nos momentos iniciais do projeto para avaliar as fontes de poluição, mas vai ficando cada vez mais intenso quando chega a hora de definir alguns itens de decoração e de pintura, que estão mais à frente no cronograma do projeto.

O item de gestão da água, por sua vez, entra na especificação de tubulações, quando se fala de qualidade e potabilidade da água. Mas, ele também vai entrar lá na fase inicial, quando se fala de área permeável e armazenamento de água de chuva. Ou seja, tem que tomar essa decisão lá no começo, porque os tanques ocupam espaços volumosos e isso precisa ser pensado desde o início.

Gestão de projeto é fundamental

O que quero dizer com isso é que existe uma série de aspectos na certificação que, se você olhar como um guia e não um checklist, isso vai mexer na gestão do projeto, tornando-a mais otimizada, mais lógica, mais integrada.

É uma gestão transdisciplinar, muito diferente do que se faz como praxe no mercado. Hoje se tem figura do coordenador do projeto, que solta um cronograma e todo mundo trabalha isoladamente, cada um no seu escritório, sem se conversar. Aí, junta tudo e dá aquele trabalhão para fazer uma compatibilização.

É nesse balaio que entra também a questão da certificação. Nesse esquema, o consultor emite simplesmente um relatório fácil e barato para ele, mas com pouquíssimo impacto no projeto, porque, muitas vezes, já é tarde para se tomar as decisões e muitos assuntos já não podem mais ser incorporados no projeto.

Resumindo, toda certificação de sustentabilidade pressupõe uma grande integração das disciplinas de projeto, que é o que buscamos fazer nos empreendimentos dos nossos clientes. E está mais do que na hora de o mercado tomar isso como uma oportunidade de melhorar a gestão e a produtividade de seus projetos.

 

Luiz Henrique Ferreira é CEO e fundador da Inovatech Engenharia.